
Revista
Guardião
"Pela medicina, eu estava morto!"
O testemunho de Carlos Fernando Ribeiro — desenganado por um câncer sem cura — e a graça que ele atribui à intercessão da Irmã Joseli.
Texto: Redação Guardião · Setembro 2026

Há histórias que a medicina registra, mas não consegue explicar. A de Carlos Fernando Ribeiro, o Seu Carlos, morador de São Miguel Arcanjo, é uma delas. Ele mesmo a resume numa frase que carrega em documento: "Pela medicina, eu estava morto." E, no entanto, ali estava ele, de pé, contando tudo.
O diagnóstico
Era 2010 quando veio a notícia: câncer na cabeça do pâncreas. Pela avaliação dos médicos, um caso sem reversão, sem possibilidade de cura.
A primeira reação foi a de qualquer pessoa diante de uma sentença dessas. "Meu Deus, por que justo comigo, nesse momento?", ele se perguntava. Mas de dentro do abalo foi nascendo outra leitura. Se a doença tinha chegado, concluiu, era para fortalecê-lo na fé — para ensiná-lo a lutar e a perseverar. E ele decidiu lutar.
Começou a quimioterapia. Segundo a própria médica, era um tratamento paliativo: destinado a aliviar, não a curar. Foram dezoito sessões. A doença não deu um único sinal de melhora.
O calvário
Foi então que Seu Carlos deu o passo que mudaria o tom de tudo. "Me entreguei nas mãos de Deus", conta. "Falei que, se fosse da vontade de Deus, eu ficaria curado."
Num dos exames periódicos, a médica falou de uma pequena possibilidade de cirurgia. Ele correu atrás. O cirurgião foi honesto ao extremo: a operação tinha chance pequena de dar certo — cinquenta por cento de sobreviver, cinquenta por cento de não resistir. A decisão ficou nas mãos do paciente. Seu Carlos escolheu operar.
O que veio depois ele chama, sem exagero, de calvário. Uma infecção hospitalar contraída no procedimento; um tumor do qual quase nada pôde ser removido. A infecção exigiu uma segunda cirurgia, para adaptar uma sonda de alimentação. Depois, uma terceira — e, a essa altura, Seu Carlos pesava trinta e sete quilos. Chegou a ser levado à sala de fase terminal do hospital, num limbo em que não melhorava nem piorava.
O prognóstico do cirurgião era implacável: se sobrevivesse à última cirurgia, não resistiria mais que vinte e quatro horas. Passaram-se as vinte e quatro horas. E mais dez dias. Sem explicação, ele continuava vivo. Até que o médico o liberou — não para a cura, mas para casa. "Vá embora, que no hospital não há mais nada a fazer. Aconteça o que acontecer, você estará junto da família."
A entrega
Ele voltou para casa numa sexta-feira, desenganado.
No domingo, fez o que lhe restava fazer. Entregou-se de coração a Deus, pedindo que, se ainda houvesse algum propósito para a sua vida, Ele agisse. E, naquela mesma oração, lembrou-se de uma freira da cidade que falecera de câncer, conhecida e amada por todos: a Irmã Joseli. Pediu que ela intercedesse por ele.
O que Seu Carlos relata ter acontecido em seguida pertence ao terreno em que a fé e a medicina se encontram sem se explicar. Naquele momento, uma antiga ferida em seu abdômen se abriu e começou a drenar. Ao longo dos dias seguintes, em casa, o corpo eliminou uma grande quantidade daquilo que o consumia por dentro. E, a partir dali, ele conta uma única coisa, repetida como quem ainda não acredita: "Só fui melhorando, melhorando, melhorando cada vez mais."
"Caiu sobre mim uma coisa divina"
Quando deu seu testemunho, cerca de um ano e quatro meses depois, Seu Carlos estava vivo e cada vez melhor. Os jovens que o entrevistavam — alunos que preparavam um trabalho sobre a felicidade — pediram que ele falasse do tema. A resposta veio simples: "Para mim não existe felicidade maior que estar vivo e poder dar esse testemunho."
E não era só a fé dele que afirmava isso. "A minha própria médica confirma", dizia, guardando consigo uma carta em que ela mesma registrava que a possibilidade de cura era mínima, praticamente inexistente. Nas palavras de Seu Carlos: "Se eu estou vivo, é porque caiu sobre mim uma coisa divina — porque pela medicina eu estava morto."
Diante da graça, prudência e gratidão
A Igreja tem um jeito próprio de tratar histórias assim, e é um jeito sábio. Ela acolhe o testemunho com respeito, reconhece a fé de quem o vive e, ao mesmo tempo, não se apressa. Não cabe a nós — nem à Revista, nem à comunidade — declarar milagre aquilo que só ao Magistério compete um dia discernir. O que podemos, e devemos, é o que Seu Carlos fez: reconhecer com gratidão a mão de Deus.
Porque é disto que se trata. Toda graça vem de Deus, por Cristo. Os santos e aqueles que partiram na fé não têm poder próprio: intercedem junto d'Ele, como irmãos mais adiantados na mesma caminhada. Foi a essa intercessão — a da Irmã Joseli, a "Apóstola do Sorriso", cuja memória São Miguel Arcanjo guarda com carinho — que Seu Carlos confiou a sua causa. E foi a Deus que ele atribuiu, do primeiro ao último dia, aquilo que a medicina não soube explicar.
Esta edição celebra a Festa dos Santos Arcanjos — e recorda que Rafael, cujo nome significa "Deus cura", aparece na Escritura como o companheiro que Deus envia àqueles que sofrem. A história de Seu Carlos é a mesma verdade, viva e recente: a comunhão dos santos não é assunto de livros antigos. É agora. Age hoje, na casa de um homem de São Miguel Arcanjo que deveria estar morto e não está.
Diante de um testemunho assim, resta o que ele próprio nos ensinou — agradecer, e continuar de pé.
Quem como Deus? Ninguém como Deus! E nós somos seus Guardiões.

Quem como Deus?
Rodrigo José Fogaça, cidadão e morador da cidade de São Miguel Arcanjo, teve a experiência da força de São Miguel Arcanjo numa grande batalha que sua família enfrentou.
Padre Márcio Almeida | Revista Guardião | Junho 2026

Foto: Padre Márcio Almeida
"Eu, Rodrigo José Fogaça, casado com Antônia Aparecida Ferreira de Oliveira, gostaria de relatar a graça alcançada por intercessão de São Miguel Arcanjo, no ano de 2020.
Estávamos em casa, no meio da tarde, quando minha esposa começou a passar mal. Corremos para o hospital de nossa cidade. Ela foi atendida e constataram que ela estava infartando de uma forma mais grave. Naquele momento, me bateu uma angústia, aquele sentimento de impotência diante do que estava acontecendo, pois já tinha passado por isso no ano de 2016.
Neste intervalo, foi uma correria no hospital, pois ela precisava ser encaminhada para outra unidade e eles não achavam vaga via CROSS no sistema, pois estavam todas preenchidas.
Lembro-me que, no desespero, cheguei a ligar até para nosso reitor Padre Márcio, para que colocasse minha esposa em suas orações. Ela recebeu a unção dos enfermos. Depois de algum tempo e de muita oração, eis que surgiu uma vaga na unidade de Sorocaba, Hospital Adib Jatene.
Em Sorocaba, ela ficou por quase 10 dias, foram momentos difíceis para ela, para mim e para nossa família. Para dificultar, também estava enfrentando o desemprego. Contudo, foi também um momento de muita oração, de muita fé e de conversão.
Pude ficar com ela todos os dias dentro da UTI. Como se fosse um milagre, eu sentia que era a mão de Deus, que era São Miguel Arcanjo cuidando de tudo, todos os dias. Em todos os momentos rezamos o Rosário de São Miguel Arcanjo, a Ladainha.
Até que num domingo de manhã, eu tinha acabado de rezar, senti no coração e disse para minha esposa que, no outro dia, segunda-feira, ela iria fazer o cateterismo, e não ia dar nada de errado, ela teria alta da UTI e na quarta-feira iríamos embora e na quinta-feira eu seria chamado a trabalhar na empresa Suzano, na qual eu estava me preparando, por honra e glória de São Miguel Arcanjo.
Quem como Deus, ninguém como Deus.
E foi exatamente assim que aconteceu. Ela fez exame na segunda, não apresentou nada, teve alta da UTI, no outro dia, na quarta-feira, era meio-dia, teve alta do hospital, viemos embora sem falar nada a ninguém, pois o nosso compromisso era com São Miguel Arcanjo.
Primeiro chegamos na Basílica, agradecemos a Deus e a São Miguel Arcanjo, aí dei notícia a família e amigos, momentos de muita emoção e alegria.
Mas ainda a obra não estava completa, faltava o meu emprego. Mas o Deus que servimos não faz a obra pela metade. Na quinta-feira fui chamado para uma entrevista de operador, o milagre pelas mãos de São Miguel Arcanjo foi tão grande que consegui a vaga, sem nem ter concluído o curso que estava fazendo para a função; consegui terminar já contratado.
Hoje, graças a Deus, estamos bem, minha esposa está bem, faço oração de São Miguel Arcanjo todos os dias para sair trabalhar e uso o escapulário de São Miguel Arcanjo como parte de minha devoção.
Quem como Deus, ninguém como Deus."
Este testemunho e muitos outros estão registrados no livro do Pe. Márcio Almeida:
Os Milagres e Sinais de São Miguel Arcanjo
Um itinerário de fé para todos os devotos do Santo Guerreiro.

